Nuclep vê boas oportunidades de mercado na transmissão

Reprodução: Tabocas
Já consolidada nos equipamentos pesados para a área nuclear, a Nuclep vê na transmissão um promissora nicho de atuação. A empresa, que completou 60 anos recentemente, começou este mês a linha de produção para torres de transmissão e já conta com Neoenergia e Tabocas como clientes. A previsão é que em 2022 ela chegue a ter faturamento de até R$ 300 milhões. De acordo com Carlos Henrique Silva Seixas, presidente da Nuclep, a empresa desde a sua criação já contava com uma mão de obra bastante qualificada, o que facilitou a diversificação do negócio. “A expectativa é super positiva para esse mercado de torres”, afirma.
O ministro Bento Albuquerque teve um papel importante nesse novo direcionamento. “Por já ter feito parte de conselho da Nuclep, quando ele assumiu a pasta das Minas e Energia, ele a tirou da alçada do Ministério de Ciência e Tecnologia e a levou para o MME. Ele já sabia dos problemas que a empresa tinha. Uma das tarefas que ele me deu foi que a Nuclep precisava aumentar o seu faturamento.”, explica.
Seixas conta que a ida para o negócio da transmissão traz benefícios para a estatal, uma vez que ela passa a ter, além de mais uma receita, um produto ‘de prateleira’ que ela poderá fabricar todo mês e sempre. A produção dos equipamentos nucleares depende da do incremento do programa nuclear brasileiro, o que não acontece com os equipamentos de transmissão. “Esse mercado vai dar um faturamento contínuo para a gente, vai ser muito bom para a empresa”, avisa.
A presença da Nuclep nesse novo nicho também será boa para o mercado. Segundo o presidente da estatal, há uma carência nesse mercado, com a demanda maior que a capacidade de absorção dos atuais players, o que justifica a entrada de mais um. “Não estamos roubando mercado de ninguém”, avisa. O retorno das transmissoras à entrada da Nuclep no mercado tem sido bom, na avaliação de Seixas. Ao visitarem a fábrica da estatal, todos se surpreendem com o parque fabril da Nuclep, que na opinião do presidente é um dos melhores. Seixas promete mais cinco novas máquinas, que vão elevar a produção de 12 mil toneladas para 30 mil toneladas.
O diferencial na busca por novos clientes no mercado vai ser durante esse ao, com a correta execução dos contratos. A transmissão vai ocupar a mão de obra que estava ociosa na fábrica. No primeiro momento, são 48 funcionários da Nuclep, mas ele deve chegar a 107 até o fim do ano. “Não preciso fazer investimento, é ocupar a mão de obra que estava ociosa”, comenta Seixas. O executivo se anima ao prever a performance da estatal nos próximos anos no novo segmento.
Na parte nuclear, a empresa aguarda a retomada das obras no canteiro da Usina de Angra 3 para poder prosseguir. Dois condensadores já foram entregues e o terceiro está em fase final de construção. A Eletronuclear pretende abrir uma licitação para escolher um parceiro que a possibilite concluir as obras, paradas desde 2015 por falta de recursos.
Apesar de incluída no Programa Nacional de Desestatização do governo Federal, o dia a dia da empresa segue no ritmo da normalidade, segundo seu presidente. O BNDES está à frente do processo, que ainda está incipiente. Recentemente, o banco lançou licitações para levantamentos e auditorias. A partir daí o banco vai dar ao governo opções para a desestatização da estatal.